segunda-feira, 23 de maio de 2011

HERBÁRIO VIVO: Mãos na terra - aprendendo com a horta

Justificativa


          A proposta ora em processo de formatação tem como foco as plantas medicinais. Parte do fato de que muito antes da química estar desenvolvida e dominar o cenário da medicina mercantilizada, as plantas medicinais foram a base das diversas formas de terapia para sanar problemas de saúde da humanidade. E tem como ênfase a guinada da humanidade, ao final do século XX, em busca das ervas medicinais e sua utilização, conforme atestam pesquisas acadêmicas e de órgãos públicos e privados. Deste modo nossa proposta passa por aspectos da história da fitoterapia, maneiras de cultivo das plantas medicinais, princípio ativo dos fitoterápicos, as plantas nativas e as exóticas, os cuidados no manuseio e preparo de remédios. A horta escolar será um espaço privilegiado de trabalho prático, onde os educandos poderão colocar as “mãos na terra”, conhecer o solo, suas condições, o manejo natural, o processo de recuperação de solo degradado, sem o que não se pode cultivar plantas medicinais.

Fundamentação teórica

          A nossa formação e atuação ao longo das atividades pedagógicas têm se pautado pela multidisciplinaridade, a partir do viés da Educação do Campo. E nossa proposta de investigação científica passa pelas Ciências, pela Biologia, pela Geografia e pela História. Deste modo as plantas medicinais devem ser tratadas através dos conteúdos estruturantes de diferentes áreas, conforme a página que trata da Investigação Científica: “Biodiversidade e os conteúdos específicos: ecossistemas, composição do solo, os seres vivos presentes no solo”, na área das Ciências. “Biodiversidade e os conteúdos específicos: evolução dos seres vivos, relações ecológicas, aspectos fisícoquímicos do solo”, na área de Biologia. “O Espaço Geográfico e os conteúdos específicos: composição do solo; as consequências destes ordenamento espacial, os aspectos culturais relacionados com a produção de hortifrutigranjeiros da região”, na área de Geografia. "Relações culturais, Conflitos e resistências e produção cultural campo/cidade", na área de História.
A proposta não é engessada, pois permite diversas abordagens, a intercalação entre elas e até a concomitância entre as mesmas. À primeira vista parece uma temática de exclusividade das Ciências da Natureza, ou da Geografia. Mas tem um potencial de abordagem histórica que permitirá aos educandos não apenas conhecerem a farmacopéia local ou regional, mas viajarem por diversas regiões do planeta. Proporcionará também o estudo das contradições do chamado desenvolvimento técnico e científico ou, mais especificamente, das promessas do sistema capitalista de transformar o mundo para melhor, principalmente a partir da chamada Revolução Industrial. O tema permite uma análise mais acurada do contexto da chamada Revolução Verde que teve lugar a partir da segunda metade do século XX. E finalmente os frutos da globalização da economia que prometia uma nova ordem mundial, mas que no entanto logo se revelou insustentável e prejudicial não só ao ser humano como a toda vida terrestre, conforme afirma Capra:

Um número cada vez maior de ambientalistas e ativistas de movimentos sociais logo percebeu que as novas regras econômicas estabelecidas pela OMC eram manifestamente insustentáveis e estavam gerando um sem número de consequências tétricas, todas elas ligadas entre si – desintegração social, o fim da democracia, uma deterioração mais rápida e extensa do meio ambiente, o surgimento e a disseminação de novas doenças e uma pobreza e alienação cada vez maiores (CAPRA, 2002:141).

         Deste modo nossa proposta, que tem sustentação na disciplinaridade (GADOTTI, 2000:49-51) e na multidisciplinaridade pedagógica, encontra base na busca de uma compreensão de totalidade e no anseio de transformação. Ainda que estas pareçam insignificantes, pois têm seu foco nas Plantas Medicinais. Porém no estão sedimentadas no contexto das demandas populares e na busca por "um outro mundo possível", como se diz sempre no Fórum Social Mundial. Objetivo que pode ser alcançado através da concepção ética planetária, de um outro ethos, no dizer de Leonardo Boff: "O ethos, traduzido em cuidado, cooperação, corresponsabilidade, compaixão e reverência, salvará, ainda uma vez, a humanidade, a vida e aterra" (2003: 11-12). Assim pensamos e assimtrabalhamos, como diz outro princípio da preservação ambiental (seja com respeito à Natureza ou ao ser humano): pensar globalmente e agir localmente.

Objetivos:

Geral

       Conhecer os fitoterápicos como um recurso que a humanidade desenvolveu ao longo do processo histórico, tanto no Brasil como em outras nacionalidades.

Específicos

         Desenvolver a consciência crítica sobre o domínio mercadológico da alopatia e a busca popular de alternativas à saúde.
         Compreender o contexto do cultivo das plantas medicinais de forma interativa com outros cultivares nos quintais domésticos.
         Estimular o cultivo, o trato e utilização dos fitoterápicos através do 'herbário vivo' desenvolvido na escola.
            Sensibilizar os educandos para a emancipação através de alternativas sustentáveis no cultivo de plantas medicinais e do tratamento de doenças de forma saudável.
            Entender a bruxaria, a feitiçaria e o curandeirismo como uma tentativa histórica das classes populares para resolverem seus problemas de saúde.

Um comentário:

  1. Caras Diretoras do CESTAC, gostaria de manifestar publicamente meu agradecimento pelo apoio que vocês manifestaram (mesmo quando eu estava com limitações por estar cedido a outra escola) na elaboração desta proposta que teria sido para o VIVA A ESCOLA da SEED/PR, que ficou parada desde então... Mas agora independentemente de apoio oficial (externo) já é uma realidade, pois dispusestes de recursos para tornar mais vivo o nosso espaço escolar, com a possibilidade de desenvolvermos mais conhecimento através da inserção em um nicho que tem uma tônica popular, real e eficaz, o cultivo de FITOTERÁPICOS e a FITOTERAPIA. Temos recebido apoio de outras/os educadoras/es e e de educandas/os de turmas das quais não sou 'professor'. Parece que estes últimos entraram em sintonia com a proposta, mesmo sem termos falado nada, apenas demonstrado pelo trabalho no patio escolar. Obrigado! Sou companheiro! Grande abç!

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